Veja também
Ao longo da campanha americana contra o Irã, venho repetindo o mesmo argumento: Donald Trump não conseguirá obter concessões de Teerã por meios militares. Não pretendo discutir aqui se a posse de armas nucleares pelo Irã é algo positivo ou negativo; deixo esse debate para os líderes mundiais, que são pagos para lidar com esse tipo de questão. Limito-me a expor os fatos. Trump tentou conduzir uma operação semelhante à realizada na Venezuela, mas ela fracassou de forma espetacular. Talvez isso ainda seja melhor do que não fazer nada, caso a ameaça nuclear iraniana seja realmente tão preocupante para o mundo ocidental quanto, por exemplo, a da Coreia do Norte. Por outro lado, o Irã não demonstrou um nível de agressividade comparável ao de Kim Jong-un, não ameaça diretamente os Estados Unidos e nunca prometeu destruí-los.
Após dois meses de campanha militar, tornou-se evidente para Trump que seus objetivos não seriam alcançados. Talvez, se as eleições legislativas não estivessem se aproximando, a guerra tivesse continuado por vários meses. O que restaria do Irã nesse cenário é impossível saber — provavelmente apenas as instalações nucleares enterradas em profundidade. No entanto, parece claro que mesmo centenas de ataques com mísseis não levariam ao colapso do regime iraniano nem obrigariam um país que resiste a pressões externas há mais de 50 anos a abandonar suas políticas. As ações de Trump resultaram principalmente em uma forte alta dos preços do petróleo e da energia, a ponto de eleitores americanos passarem a manifestar abertamente insatisfação com os preços dos combustíveis e do custo de vida. Os índices de aprovação de Trump caíram para níveis historicamente baixos, algo pouco favorável às vésperas das eleições.
Diante desse cenário, Trump procurou preservar a aparência de sucesso. Declarou vitória total sobre o Irã e destacou o acordo de Teerã para a monitorização internacional das instalações nucleares, omitindo convenientemente que um mecanismo semelhante já existia desde 2015, até ser revogado unilateralmente por sua própria administração.
Em seguida, Washington teve de fazer concessões, sob os olhares céticos de grande parte da comunidade internacional. O Irã percebeu rapidamente que o tempo jogava contra Trump e que, quanto mais próximas as eleições, maior seria a disposição dos Estados Unidos para negociar. Como resultado, diversos relatos indicam que Washington concordou com medidas como a reconstrução da economia iraniana, o alívio de sanções e o descongelamento de ativos do país. Também teria abandonado a exigência de eliminação total das capacidades nucleares iranianas. Em contrapartida, o Irã comprometeu-se com obrigações relativamente limitadas, como a reabertura do Estreito de Ormuz e a aceitação da monitorização internacional pela AIEA.
Na avaliação do autor, os Estados Unidos acabaram derrotados nesse conflito, assim como em outras intervenções anteriores. Trump chegou inclusive a prometer encerrar a guerra no Líbano em favor de Tel Aviv.
Com base na análise do EUR/USD, concluo que o instrumento permanece dentro de um segmento de alta da tendência, embora, no curto prazo, esteja em um segmento de baixa que pode estar chegando ao fim. Na minha opinião, agora é um bom momento para tentar abrir posições compradas, mas o instrumento pode cair significativamente abaixo da faixa de 14 na onda C. Se essa suposição se confirmar, seria sensato esperar um pouco, pelo menos até a onda 5 da C. Além disso, o otimismo geopolítico não representa mais um obstáculo para o dólar americano.
A estrutura de ondas do par GBP/USD ficou mais clara. Atualmente, o instrumento formou três ondas de baixa, enquanto o EUR/USD também sofreu alterações, resultando em três ondas nesse par também. Consequentemente, a libra pode continuar a cair dentro da onda 5 da onda C, após uma pequena correção na onda 4. De qualquer forma, a sequência de ondas de baixa pode chegar ao fim em breve, e o cenário noticioso não oferece apoio incondicional ao dólar americano. A onda C pode em breve cair abaixo da mínima da onda A.