O Banco da Inglaterra reafirma a prioridade de trazer a inflação de volta para 2%
O presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, afirmou à Comissão de Assuntos Econômicos da Câmara dos Lordes que o retorno da inflação ao nível-alvo continua sendo a principal prioridade da instituição. Segundo ele, alcançar essa meta é fundamental para preservar e fortalecer a confiança do público na política monetária do banco.
Bailey reconheceu a legitimidade das preocupações dos parlamentares de que, durante grande parte da década de 2020, a inflação no Reino Unido permaneceu persistentemente acima da meta de 2%. Ele destacou que as autoridades precisam exercer maior controle sobre o processo de retorno à estabilidade de preços para demonstrar à população a credibilidade dos objetivos de longo prazo da instituição. O governador também rejeitou categoricamente a proposta defendida por alguns especialistas de elevar formalmente a meta de inflação para 3% como forma de amortecer os efeitos dos recentes choques tarifários.
Os dados mais recentes indicam uma desaceleração da inflação. Em abril, a inflação ao consumidor no Reino Unido recuou para 2,8%. De acordo com o cenário-base do BoE, esse indicador deverá situar-se em torno de 4% até o final de 2026, assumindo uma redução gradual dos preços internacionais da energia nos próximos meses.
A instituição também elaborou um cenário de estresse. Caso os preços globais dos combustíveis retomem sua trajetória de alta e desencadeiem uma reação em cadeia sobre os custos de outras categorias de bens e serviços, a inflação britânica poderá ultrapassar 6% no início de 2027. As autoridades ressaltam, contudo, que mesmo nesse cenário adverso a situação seria significativamente menos grave do que o pico inflacionário registrado em outubro de 2022, quando a inflação no Reino Unido superou 11%.