Goldman Sachs: não há escassez global, mas Índia e Tailândia adotam racionamento de combustível
As preocupações com um esgotamento generalizado dos estoques globais de petróleo voltaram a ganhar força em meio ao prolongado conflito no Oriente Médio e às interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz. No entanto, uma nova análise do Goldman Sachs conclui que, apesar da forte pressão sobre as cadeias de suprimento, a situação atual ainda não configura uma escassez estrutural.
O banco estima que o impacto imediato das disrupções logísticas foi mais intenso na Ásia, região fortemente dependente das importações de produtos refinados do Golfo Pérsico. Muitas economias asiáticas obtêm cerca de metade de seu combustível dessa região, enquanto a dependência de países como Coreia do Sul e Singapura se aproxima de 75%.
Apesar dessa vulnerabilidade, uma escassez generalizada foi evitada até o momento, já que os importadores conseguiram recorrer rapidamente a fornecedores alternativos, utilizar reservas existentes e impor restrições às exportações para estabilizar os mercados domésticos. O Goldman alerta, no entanto, que esse “colchão” é temporário. Até o final de março, as entradas líquidas de petróleo na Ásia caíram de forma acentuada, sinalizando aumento da pressão sobre o sistema à medida que os embarques do Golfo desaceleram.
O relatório destaca uma pressão desigual entre os diferentes tipos de combustíveis. Matérias-primas petroquímicas, como nafta e gás liquefeito de petróleo (GLP), já enfrentam escassez significativa devido a níveis historicamente baixos de estoques e limitações técnicas de armazenamento. Ao mesmo tempo, os preços globais do diesel e do querosene de aviação dispararam, refletindo tanto restrições físicas de oferta quanto o acúmulo preventivo de estoques por participantes do mercado.
O Goldman também identifica sinais iniciais de racionamento local. Vários países, incluindo Índia e Tailândia, relataram interrupções no fornecimento e foram forçados a adotar medidas de racionamento de combustível. Outros governos da região começaram a implementar medidas administrativas para controlar o consumo.
Ainda assim, o banco evita classificar a situação como uma crise estrutural de oferta. Grandes economias, como China e Japão, possuem reservas estratégicas substanciais que lhes permitem absorver o choque atual. De forma mais ampla, os analistas destacam que o mercado ainda mantém certa flexibilidade por meio do redirecionamento dos fluxos comerciais e da utilização de estoques comerciais.
A principal conclusão do relatório é que os estoques globais ainda não foram esgotados. No entanto, caso um bloqueio do Estreito de Ormuz persista, epsódio de escassez localizada e picos mais acentuados de preços tendem a se intensificar, especialmente nas regiões mais dependentes de combustíveis importados.