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Mercado de títulos do Japão, avaliado em US$ 7,3 trilhões, se torna fonte de volatilidade global

Mercado de títulos do Japão, avaliado em US$ 7,3 trilhões, se torna fonte de volatilidade global

O sistema financeiro global passou a enfrentar uma nova fonte de risco: o mercado de títulos do governo japonês, por muito tempo considerado um porto seguro, está se desestabilizando rapidamente. Na semana passada, os rendimentos dos títulos públicos do Japão dispararam, deixando investidores de todo o mundo em alerta. O rendimento dos títulos de 40 anos ultrapassou a marca de 4% pela primeira vez, enquanto os papéis de 30 anos oscilaram mais de um quarto de ponto percentual em uma única sessão — um movimento que, no passado, costumava levar meses. Em apenas um dia, a capitalização de mercado da curva de rendimentos soberanos japonesa caiu US$ 41 bilhões.

A crise tem origem em uma combinação de fatores estruturais e políticos. A inflação superou a meta de 2% do Banco do Japão pelo quarto ano consecutivo, enfraquecendo os argumentos em favor da manutenção de juros próximos de zero. Ao mesmo tempo, a primeira-ministra Sanae Takaichi, em preparação para as eleições antecipadas de 8 de fevereiro, vem prometendo amplos estímulos fiscais, inflando ainda mais uma dívida pública já elevada, equivalente a cerca de 230% do PIB, um nível incompatível com a estabilidade fiscal de longo prazo.

A turbulência em Tóquio já começa a gerar efeitos em cadeia nos mercados globais. Estimativas do Goldman Sachs indicam que cada aumento de 10 pontos-base nos rendimentos japoneses adiciona entre 2 e 3 pontos-base às taxas nos Estados Unidos e em outras economias. As oscilações abruptas do iene aumentaram o nervosismo do mercado, inclusive dentro do Federal Reserve e do Tesouro americano, levando os participantes a se prepararem para uma possível intervenção cambial.

A eventual repatriação de capital japonês representa um risco significativo para os mercados globais. Investidores japoneses detêm mais de US$ 5 trilhões no exterior, majoritariamente em títulos públicos estrangeiros. Com a alta dos rendimentos domésticos, a dívida japonesa torna-se mais atrativa: os rendimentos dos títulos de 30 anos já superaram os da Alemanha e da China. Grandes instituições, como a Sumitomo Mitsui, anunciaram planos para revisar suas carteiras e reduzir a exposição a títulos estrangeiros em favor de ativos domésticos. Uma retirada em massa de capital japonês poderia pressionar severamente os mercados de títulos dos EUA e da Europa, elevando os rendimentos em um momento particularmente sensível do ciclo econômico.

Masayuki Koguchi, gerente executivo de fundos da Mitsubishi UFJ Asset Management, classificou o cenário como “uma nova era” e alertou que este pode ser apenas o início, com a possibilidade de choques ainda mais intensos. Essa avaliação reforça a percepção de que os mercados devem conviver com um período prolongado de elevada volatilidade, em vez de uma estabilização no curto prazo.

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