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As pessoas tendem a não agir até que o raio caia. E os investidores há muito vinham fazendo vista grossa ao conflito latente entre os EUA e o Irã, até que novos confrontos na região do Estreito de Ormuz forçaram uma reavaliação. O preço do petróleo disparou, os rendimentos dos títulos do Tesouro seguiram o mesmo caminho, e a alta de dois dias do S&P 500 finalmente chegou ao fim.
Dinâmica diária do S&P 500
Dito isso, não se trata de um colapso. O mercado como um todo tem demonstrado resiliência ao longo do ano, impulsionado pelo boom da IA e pela força dos setores de energia e industrial. As perdas concentraram-se no segmento de tecnologia: o setor de tecnologia da informação tornou-se o principal retardatário do S&P 500, enquanto os fabricantes de chips lideraram a liquidação. Os investidores questionam cada vez mais se os enormes investimentos em capital (capex) voltados à IA se justificam em um ambiente de taxas de juros elevadas em escala global.
Os lucros, no entanto, continuam sólidos. O Morgan Stanley estima que o S&P 500 ponderado igualmente apresenta crescimento do lucro por ação (EPS) superior a 10%, o melhor resultado desde a recuperação pós-pandemia. O banco continua revisando para cima suas projeções para os setores de consumo e transporte, que estão intimamente ligados ao ritmo da atividade econômica. A FactSet vai além: os lucros do S&P 500 podem passar de US$ 275 por ação em 2025 para US$ 341 em 2026, o que representaria um crescimento de 24%. A única dúvida é se os investidores acreditam nessas projeções ou se estão apenas rotacionando capital dos ativos que acumularam ganhos de três dígitos para empresas que ficaram menos esticadas.
Dinâmica do índice de ponderação igual versus o S&P 500
Enquanto isso, a escalada no Oriente Médio reacendeu as especulações sobre um aperto monetário por parte do Fed. Dados do CME Group mostraram que as chances de um aumento da taxa em julho saltaram de 18% no início de julho para 42%, e a probabilidade de duas medidas de aperto até o final do ano subiu de 34% para 56%. O silêncio do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, pouco contribui para esclarecer as perspectivas. O JPMorgan alerta que, se ele continuar evitando dar sinais claros, outros membros do FOMC poderão tomar a iniciativa.A semana até 17 de julho promete ser um verdadeiro teste para os mercados. Os investidores terão de assimilar os dados do CPI e do PPI de junho, o índice de confiança do consumidor e o início da temporada de divulgação de resultados, com JP Morgan Chase e Goldman Sachs entre as primeiras empresas a divulgar seus balanços. O mercado acionário norte-americano sustentou-se por tempo demais em narrativas otimistas, em vez de dados concretos. Estará preparado para encarar a realidade?
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário mostra que o S&P 500 retornou ao seu valor justo, próximo de 7.505. Esse nível passa a representar uma linha divisória para o índice. Um repique a partir dessa região seria um sinal para ampliar posições de compras. Em contrapartida, um rompimento decisivo, acompanhado de fechamento abaixo desse patamar, seria um sinal para realização de lucros, possível reversão de tendência e abertura de posições de vendas.