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19.06.2026 03:35 PM
Por que o ouro continua a cair mesmo após a assinatura do memorando entre os EUA e o Irã?

O ouro está no vermelho pela terceira semana consecutiva, caindo abaixo de US$ 4.200 por onça, com perda de 0,5% hoje, após uma queda de 1,1% na quinta-feira. Desde os níveis pré-guerra em fevereiro, o metal já acumulou uma desvalorização de cerca de 22%, e a lógica por trás dessa queda continua válida mesmo após a assinatura do acordo com o Irã.

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O paradoxo do ouro nesta guerra é bem conhecido e continua vigente. A reabertura do Estreito de Ormuz exerce um efeito duplo sobre o metal. Por um lado, há um fator positivo: a queda dos preços do petróleo reduz as pressões inflacionárias, o que, em teoria, diminui a necessidade de altas de juros e remove o principal obstáculo ao desempenho do ouro. No entanto, o sinal hawkish emitido pelo Federal Reserve (Fed) durante a primeira reunião presidida por Kevin Warsh, na quarta-feira, superou esse otimismo.

Warsh indicou que uma alta de juros continua sobre a mesa, e os mercados já precificam essa possibilidade para outubro, com probabilidade em torno de 60%. Historicamente, o ouro tende a apresentar desempenho mais fraco no período que antecede um aumento de juros. Agora, a questão central é saber se a próxima alta será apenas um ajuste pontual de precaução ou o início de um novo ciclo de aperto monetário.

Se o Fed elevar os juros uma única vez e depois interromper o aperto, a queda dos preços do petróleo fará sua parte, a inflação começará a desacelerar e o ouro terá espaço para se recuperar. No entanto, se os dados continuarem apontando para uma inflação persistente, o metal permanecerá sob pressão. A resposta para essa questão dependerá, principalmente, da rapidez com que a reabertura do Estreito de Ormuz se refletirá em uma redução efetiva da inflação de energia nos dados do IPC de julho e agosto.

A prata recua 0,5%, para US$ 65,34, enquanto a platina e o paládio também registram leves perdas. O dólar continua sustentado pelas expectativas de alta de juros, embora a reabertura do estreito atue como um fator contrário por meio da redução das expectativas de inflação.

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Em relação ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima em US$ 4.186. Isso permitirá que busquem o alvo em US$ 4.249, acima do qual será bastante difícil avançar. O próximo alvo ficaria em torno de US$ 4.304.

Em caso de queda no preço do ouro, os vendedores tentarão assumir o controle de US$ 4.124. Se conseguirem, uma quebra dessa faixa causaria um impacto significativo nas posições de compras e poderia levar o ouro a uma mínima de US$ 4.062, com potencial de alcançar US$ 4.008.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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