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10.03.2026 05:17 PM
EUR/USD. A retórica triunfante de Trump: mercados prematuramente otimistas?

O par euro/dólar está sendo negociado em uma zona de turbulência de preços. Ontem, os vendedores empurraram o EUR/USD para uma baixa de quatro meses em 1,1505, mas os compradores tomaram a iniciativa e a sessão fechou em 1,1612.

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Os ativos de risco voltaram a despertar interesse com a estabilização do petróleo e com as declarações aparentemente conciliatórias de Donald Trump, que insinuou que a guerra no Oriente Médio poderia acabar em breve. Embora essa afirmação seja bastante questionável, os participantes do mercado, como se costuma dizer, mostraram‑se dispostos a aceitar a tranquilização. Mensagens de desescalada foram recebidas ao pé da letra, enquanto sinais contrários — que discutiremos adiante — foram em grande parte ignorados.

O resultado é uma situação traiçoeira e até perigosa para os compradores de EUR/USD: a retórica pacificadora pode colidir com a dura realidade.

Então, o que Trump disse exatamente? Ele declarou que os Estados Unidos estavam próximos de cumprir seus objetivos no Irã e que, portanto, a guerra na região estava quase terminada.

Essa retórica surpreendeu os mercados porque, até recentemente, reportagens indicavam que o presidente estava a considerar uma operação terrestre e que o conflito poderia prolongar‑se pelo menos até setembro. Trump tem insinuado repetidamente a possibilidade de mudança de regime no Irã em favor de um governo mais alinhado com Washington e incentivado os iranianos a "recuperarem" o país.

No entanto, a postura pública dos EUA tornou‑se mais cautelosa. Autoridades da Casa Branca e do Pentágono afirmaram que a operação não é uma guerra de mudança de regime, mas persegue objetivos mais restritos — que, segundo eles, estão quase alcançados: degradar as capacidades de mísseis do Irã, enfraquecer a infraestrutura militar e impedir que Teerã obtenha armas nucleares.

Em resumo, Trump deixou claro que quer uma vitória rápida, não uma guerra terrestre prolongada. O mercado acolheu essa interpretação, e o apetite por risco — inclusive pelo euro — aumentou.

Mas existe um fator importante. O Irã contradisse diretamente as declarações de Donald Trump. Representantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmaram que suas mãos estão livres para expandir a guerra e que o próprio Irã decidirá quando o conflito terminará. Como confirmação dessa posição, forças iranianas atingiram durante a noite a base militar de Harir, no Curdistão iraquiano. Segundo a revista Der Spiegel, o Irã também lançou foguetes contra a base aérea de Al-Azraq, na Jordânia, onde estão estacionadas forças dos Estados Unidos e da Alemanha. Além disso, Teerã continua realizando ataques diários com mísseis contra Israel.

Outro ponto crucial é a situação ainda não resolvida no Estreito de Hormuz. Ontem, o IRGC afirmou que permitirá a passagem pelo estreito apenas a países que expulsem enviados dos EUA e de Israel. Por sua vez, Trump advertiu que os Estados Unidos responderão com uma força vinte vezes maior caso o Irã tente impedir o fluxo de petróleo pela passagem marítima.

Diante dessas condições, é possível falar em desescalada? A julgar pela reação do mercado, muitos traders estão precificando um fim próximo da guerra, mas o fluxo de notícias até agora indica o contrário.

Na minha visão, o principal indicador de uma verdadeira desescalada será a reabertura real do Estreito de Hormuz. Somente então será possível falar de estabilização real do mercado de petróleo. Atualmente, a correção observada parece ser impulsionada principalmente por declarações otimistas no campo político, e não por mudanças concretas na situação.

De acordo com a Bloomberg, a Arábia Saudita reduziu a produção em 2,0–2,5 milhões de barris por dia, o Iraque em quase 3 milhões, os Emirados Árabes Unidos em 500–800 mil e o Kuwait em cerca de 500 mil barris. Esses cortes na produção no Oriente Médio estão se intensificando enquanto o Estreito de Hormuz permanece praticamente paralisado.

As ameaças de Trump de forçar a abertura do estreito continuam, por enquanto, no campo da retórica, mas, se forem colocadas em prática, podem provocar uma nova escalada do conflito, com todas as consequências associadas.

Analistas do The Wall Street Journal argumentam que tanto Trump quanto o Irã avaliaram mal o curso do conflito: os ataques americanos não derrubaram o regime iraniano nem produziram um cenário semelhante ao da Venezuela, enquanto os ataques iranianos contra países vizinhos não conseguiram forçar esses governos a pressionar Washington a aceitar as condições de Teerã. Segundo o jornal, isso resultou em um conflito que continua se expandindo sem uma saída clara à vista.

Assim, na minha opinião, a recente alta do EUR/USD parece prematura e amplamente antecipada pelo mercado. Se as expectativas de uma rápida desescalada não se confirmarem, os mercados provavelmente reagirão no sentido oposto: o dólar voltará a ser procurado como ativo de proteção, e o EUR/USD ficará novamente sob pressão.

Portanto, apesar da subida rápida e aparentemente contínua, é prudente manter cautela com o par, considerando as declarações beligerantes do IRGC, o bloqueio de facto do Estreito de Hormuz e os ataques iranianos contínuos contra instalações militares dos EUA (e agora também da Alemanha) e infraestrutura energética.

Perspectiva tática:
Aproveitar qualquer correção de alta no EUR/USD para considerar posições de venda, com alvos em 1,1600 e 1,1550 (banda inferior de Bollinger no gráfico 4H).

Irina Manzenko,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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